Instituto HBDF sobe no telhado

Marcos Machado 06/04/2017 0
Instituto HBDF sobe no telhado

Por Marli Rodrigues

A casa está caindo para o grupo que quer se apossar do maior hospital público do DF.

Na quarta-feira (05/04), a Justiça determinou o afastamento do diretor do Instituto Hospital da Criança, Renilson Rehem, por irregularidades na gestão da Organização Social. Lembramos que esse é o modelo que Rollemberg & Cia querem emplacar na capital, em nosso sistema de saúde pública.

Sob a falsa alegação de modernização da gestão e usando de retórica falaciosa de ampliação do atendimento na rede, o governo vem tentando dar o golpe e transformar o nosso hospital de alta complexidade, o único da rede que é terciário, em um “Instituto”, estabelecendo um modelo híbrido para burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal e os princípios constitucionais que norteiam a administração pública.

Não há interesse público nesse modelo que é fonte de corrupção e mazelas, em todo o Brasil, e já mostra a mesma realidade no DF.

A intenção dos gestores é comprar sem licitação, precarizar as relações de trabalho, terceirizar serviços essenciais com superfaturamento e outras práticas conhecidas.

A confirmação judicial do afastamento do Renilson Rehem é um fato que deve servir de reflexão para os parlamentares que irão apreciar o famigerado projeto do IHBDF.  Se mantiverem o bom senso e espírito público, nem permitirão que essa aberração entre na pauta de votação.

O SindSaúde continuará lutando pelo HBDF. Em vez de transformá-lo em Instituto, lutaremos para que ele avance mais e seja o primeiro hospital quaternário da rede pública de saúde, conforme deliberado na V Conferência de Saúde do DF, em 2002.

Não podemos permitir que o capital humano existente nesse hospital, com profissionais de excelência e referência em suas áreas de atuação, seja subvalorizado nessa iniciativa esdrúxula proposta pelo governo.

Quando denunciei os diversos esquemas e desmandos na SES, o Renilson era um dos citados. Enfrentei ameaças e tormentas, mas segui firme no propósito de contribuir para que a verdade se estabelecesse e essa corrupção desenfreada fosse estancada.

Atualmente essa decisão judicial, confirmando as irregularidades, multiplica o nosso ânimo para não recuar diante dessas tentativas torpes de terceirizar o sistema de saúde do DF.

Querem transformar o Hospital de Base, nosso centro de alta complexidade, no Mané Garrincha, dessa gestão. Será esse o legado da Geração Brasília para a saúde do DF? Era essa a “atitude para mudar” que estampou a campanha de Rollemberg ao governo?

O Estádio Nacional, conhecido e aclamado como Mané Garrincha, custou mais de R$ 2 bilhões aos cofres públicos, e agora está em vias de ser entregue à iniciativa privada a preço de banana. É isso que vão fazer com o orçamento do HBDF, de cerca de R$ 550 milhões por ano, entregando-o aos “Renilsons e seus institutos”? Não vão. A CLDF, os servidores, as entidades de classe, os Conselhos de Saúde, os órgãos de controle e a sociedade não vão permitir.

O Hospital de Base é do povo, é a história de Brasília.

*Marli é presidente do SindSaúde-DF

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